Histórico

O projeto de criação do Planetário de Vitória teve sua origem nos primeiros anos da década iniciada em 1980, quando, pela primeira vez, a Associação Astronômica Galileu Galilei (AAGG), uma associação de astrônomos amadores, sediada em Vitória, ES, apresentou à Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) uma proposta de aquisição, pela Prefeitura, de um projetor planetário e sua instalação no Município. Nessa época, contudo, não houve condições de o projeto ser implementado. Ao longo dessa mesma década, porém, aconteceu um evento astronômico marcante: a passagem do cometa Halley próximo ao Sol e a Terra, no final de 1985 e início de 1986. Graças a esse evento que, à época, teve enorme repercussão junto ao público e à mídia, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) mobilizou esforços no sentido de atender ao grande interesse da comunidade pelo evento, construindo um observatório astronômico didático – o Observatório Astronômico da UFES (OA-UFES) – no Campus da UFES, em Goiabeiras, sob a responsabilidade do Departamento de Física, no qual foi instalado o telescópio Zeiss Meniscas-Cassegrain, com espelho de 15 cm, que já estava na UFES há alguns anos. O Observatório foi então inaugurado em fevereiro de 1986, bem a tempo de observar o cometa Halley durante essa sua última passagem (a próxima só ocorrerá em 2061!).

Público sendo atendido no Observatório Astronômico da UFES (OA-UFES) na última passagem do cometa Halley, em 1986. Ao fundo o prédio do OA-UFES, onde estava instalado o telescópio Zeiss. À esquerda, membros da Associação Astronômica Galileu Galilei (AAGG), atendendo ao público com um telescópio auxiliar.

Após a inauguração do OA-UFES, nesse mesmo ano de 1986, por meio do projeto de extensão “Observações Astronômicas”, a Universidade começou a prestar um serviço regular de atendimento à população em sessões semanais de visitação e observação do céu no Observatório, de cuja execução participavam professores do Departamento de Física da UFES, membros da Associação Astronômica Galileu Galilei e estudantes da UFES.

Graças ao sucesso da parceria entre UFES e AAGG na execução do projeto Observações Astronômicas, o projeto de criação do Planetário de Vitória foi retomado por estas duas entidades, que buscaram o apoio de outras instituições públicas, como a própria PMV e o governo do estado do Espírito Santo.

Telescópio Zeiss Meniscas-Cassegrain, com espelho de 15 cm, instalado no Observatório Astronômico da UFES, desde sua fundação.

Desta feita, graças à parceria estabelecida e o esforço conjunto realizado pela UFES, o Governo do Estado do ES, via Secretaria de Estado da Educação (SEDU), a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) e a AAGG foi possível viabilizar o projeto de criação do Planetário, cabendo ressaltar o papel destacado desempenhado pela Associação Astronômica Galileu Galilei, responsável pelo projeto original de criação do Planetário e articuladora do apoio e envolvimento da UFES, Governo do Estado e PMV na sua viabilização. A UFES, via Ministério da Educação, adquiriu o projetor planetário, modelo Zeiss ZKP-2P, e a Prefeitura Municipal da Vitória construiu o prédio, com uma sala de projeção (cúpula) de 10 metros de diâmetro para instalação do projetor.

O Planetário de Vitória foi, assim, inaugurado em 23 de junho de 1995 no Campus da UFES, em Goiabeiras, próximo ao Observatório Astronômico, iniciando suas atividades a partir desta data, dando continuidade às mesmas por meio de uma parceria entre a UFES e a PMV.

Planetário de Vitória recebendo a visita de uma turma do Ensino Fundamental.

No âmbito da UFES, desde sua criação, o Planetário acha-se vinculado ao Centro de Ciências Exatas e ao seu Departamento de Física, incumbido de indicar o seu Diretor Técnico-Científico dentre os professores do Departamento atuantes na área da Astronomia e Astrofísica. No âmbito da PMV, após um período inicial de indefinição, em que esteve vinculado à Secretaria Municipal de Esporte e Cultura e, depois, à de Administração e Finanças, em 1997, passou a subordinar-se à Secretaria Municipal da Educação (SEME), sendo, mais tarde, incorporado ao projeto “Escolas da Ciência” da SEME/PMV, passando a ser considerado como um de seus módulos, juntamente com a Praça da Ciência, a Escola da Ciência – Física e a Escola da Ciência – Biologia e História.

Projetor planetário Zeiss ZKP-2P instalado no Planetário de Vitória.

A partir de 2002, após um reforço na sua equipe, com mais professores efetivos da SEME e maior número de planetaristas e estagiários, o Planetário de Vitória passou a diversificar bastante suas atividades, oferecendo, além das tradicionais sessões de planetário, também diversas outras, tais como oficinas, minicursos, palestras, cursos de formação continuada para professores, exposições e eventos científico-culturais diversos, tais como campanhas de observação de eclipses, o I Seminário de Educação em Ciências: o Papel dos Espaços de Educação Não-Formal na Educação em Ciências, promovido em conjunto com as demais Escolas da Ciência da SEME/PMV, em 2005, e sediando a XI Reunião da Associação Brasileira de Planetários, realizada em Vitória, em 2006. Atualmente, o Planetário vem atendendo a um público anual de cerca de 20 a 30 mil pessoas.

Buscando promover o seu desenvolvimento e cumprir da melhor maneira possível sua missão de ensinar, divulgar e popularizar a Astronomia e ciências correlatas, o Planetário vem buscando estabelecer novas parcerias e elaborar projetos a serem encaminhados a órgãos de fomento, na área da Educação, Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia. Alguns dos principais resultados desse esforço foram:

Dessa forma, o Planetário vem se caracterizando por ser uma instituição que funciona como um laboratório de ensino e difusão científica que busca integrar-se à sociedade, estabelecer parcerias e angariar apoio visando cumprir sua missão educacional da maneira mais ampla possível, buscando levar a cultura técnico-científica a uma parcela cada vez mais ampla da população, contribuindo, assim, para o desenvolvimento sócio-cultural e exercício da cidadania em nosso estado e país.

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